Queria saber gostar tanto assim gostar tanto sem fazer desse tanto muito, demais, transbordado. Ser copo cheio e belo copo cheio sem ser...
Haverá a estreia. Não importa, agora, consumado que o fato se consumará, pensar se nossas expectativas serão satisfeitas ou não. É apertar a gravata, retocar a maquiagem, ajeitar o espartilho, calçar o salto, ficar descalço, rasgar um pouco mais a roupa (até ficar perfeito trapo). Limpar o suor que escorre nos rostos de todos.
Estreias são sempre assim. Seja na sala de cirurgia; na quadra de esportes; na sala de aula; no teatro, no cinema; literatura; artes-plásticas; fotografia. Diante do primeiro ovo a ser frito, ante o primeiro gozo solitário ou à primeira tentativa de suicídio.
Diante disso tudo, só nos resta subir no palco, no altar, pular a cerca; a ponte; a corda. Dar o pontapé inicial na bunda ou na bola.
Depois de tudo, do caos, da ventania, dos suores todos... pela manhã, exibir o lençol na janela, sujo de sangue. "Era virgem." "Era virgem!!" Foi virgem...
Estreias são sempre assim. Seja na sala de cirurgia; na quadra de esportes; na sala de aula; no teatro, no cinema; literatura; artes-plásticas; fotografia. Diante do primeiro ovo a ser frito, ante o primeiro gozo solitário ou à primeira tentativa de suicídio.
Diante disso tudo, só nos resta subir no palco, no altar, pular a cerca; a ponte; a corda. Dar o pontapé inicial na bunda ou na bola.
Depois de tudo, do caos, da ventania, dos suores todos... pela manhã, exibir o lençol na janela, sujo de sangue. "Era virgem." "Era virgem!!" Foi virgem...
Crédito da imagem: Wellington Souza Estátua de A. Rodin/ Pinacoteca do Estado de São Paulo
Haverá a estreia. Não importa, agora, consumado que o fato se consumará, pensar se nossas expectativas serão satisfeitas ou não. É apertar ...
O suor começa a brotar na testa e sigo em ritmo moderado. Sem paixões arrebatadoras, sem grandes desilusões: no ponto entre o sucesso e o fracasso (que só chegarão ao final. E juntos). Há fracassos no sucesso. Tudo aquilo que não poderemos mais fazer foi o preço de conseguir uma única coisa que derreterá em nossas mãos. E não, necessariamente, fracasso no sucesso.
Trabalho inútil e sem esperança?
A primeira gota passa pelos meus olhos, ensandecida pelos passos frenéticos, enquanto imagino o caminho restante – talvez o único que, com certeza, seguirei. A certeza do parto ante as contrações. Os outros caminhos? É um absurdo pensar neles, em suas trilhas. Apenas andamos na direção, ‘no rumo’, como dizem os mineiros. Vou para o leste, mas ignorante. Absurdo.
O rosto já está encharcado e, o corpo, cansado. As pernas já descompassadas e os dedos trocando letras. Talvez o cérebro descompassado e trocando letras. Não falo mais como antes. Controlo a respiração, a inspiração, mas a transpiração inunda a mim e a todos que me tocam. Meus textos são essa transpiração: sinal evidente de cansaço e falência do ser.
Trabalho inútil e sem esperança?
A primeira gota passa pelos meus olhos, ensandecida pelos passos frenéticos, enquanto imagino o caminho restante – talvez o único que, com certeza, seguirei. A certeza do parto ante as contrações. Os outros caminhos? É um absurdo pensar neles, em suas trilhas. Apenas andamos na direção, ‘no rumo’, como dizem os mineiros. Vou para o leste, mas ignorante. Absurdo.
O rosto já está encharcado e, o corpo, cansado. As pernas já descompassadas e os dedos trocando letras. Talvez o cérebro descompassado e trocando letras. Não falo mais como antes. Controlo a respiração, a inspiração, mas a transpiração inunda a mim e a todos que me tocam. Meus textos são essa transpiração: sinal evidente de cansaço e falência do ser.
O suor começa a brotar na testa e sigo em ritmo moderado. Sem paixões arrebatadoras, sem grandes desilusões: no ponto entre o sucesso e o fr...
Agora, com a página do Blogspot aberta, lembrei-me de um trecho do filme "Amores Perros" em que a menina fodida fala para o seu ex-amante fodido: “Se quisermos fazer Deus rir, basta lhe contarmos nossos planos". Não digo isso pela época de final de ano que nos faz repensar o que passou ou sonhar com o que virá, não. Mas, sim, pela constatação de que, na postagem anterior deste blog, me comprometera a atualizá-lo periodicamente (e não esporadicamente, com continuo a fazer).
Apesar de não crer em Deus, essa frase sempre se mantém presente. Talvez porque tudo o que faço, quando revejo, sinto que está meio torto (coisa de 70%) e sempre merece correção. Em estatística, mais precisamente econometria, usa-se um intervalo de confiança para se trabalhar com previsões – por exemplo: com 90% de certeza afirmamos que certa variável estará entre 8 e 10 pontos. Usam isso para a previsão do tempo, para as meta de inflação, crescimento de populações e sempre que se trabalha com previsão. Artimanha para não fazer ninguém rir.
Você falar que se fizer isso, isso e aquilo e depois estará feliz, fará, certamente, 'Alguém' rir. E nem me refiro apenas às probabilidades de isso e aquilo não ocorrerem exatamente como se desejou, mas quantas vezes tudo foi perfeito (do latim: fazer inteiramente, terminar sem deixar afazeres) e ainda não ficamos felizes? A felicidade, de tão exata, chegar a ser intangível.
Felicidade, por conceito, é 'consciência plenamente satisfeita'. Isso quer dizer: não querer mais nada, nada mais desejar. Se você deseja que o momento não acabe, não é felicidade. Pois há certa angústia e essa felicidade não comporta medos ou preocupações. Felicidade é se considerar num eterno presente, imutável de tão sólido. Se você pensar: "Eu sou feliz?" Esqueça, ela não suporta questionamentos.
Por isso, sempre me lembro da frase. Sempre que encontro uma 'solução fenomenal' para os problemas que surgem (ou que invento, tanto faz), lá vem ela numa espécie de lembrança fantasiosa – ou mantra... é uma imagem toda negra com uma risada que começa imperceptível e vai se alongando... em ternas frações de segundos, até que a frase venha ditada por uma voz do além.
Mas isso não faz de mim um cara pessimista, que não crê em nada (somente no mito de Sísifo: aquele 'cara' da mitologia grega que é condenado a ficar subindo uma pedra montanha acima... e, sempre que chega ao destino, ela desce novamente e ele reinicia o trabalho indefinidamente). Acredito, como Camus, que muitas pessoas agem assim... mas, se estou fazendo o que faço hoje, é porque tenho planos e acredito, embora eu aja tão sistematicamente quanto é possível.
Apesar de não crer em Deus, essa frase sempre se mantém presente. Talvez porque tudo o que faço, quando revejo, sinto que está meio torto (coisa de 70%) e sempre merece correção. Em estatística, mais precisamente econometria, usa-se um intervalo de confiança para se trabalhar com previsões – por exemplo: com 90% de certeza afirmamos que certa variável estará entre 8 e 10 pontos. Usam isso para a previsão do tempo, para as meta de inflação, crescimento de populações e sempre que se trabalha com previsão. Artimanha para não fazer ninguém rir.
Você falar que se fizer isso, isso e aquilo e depois estará feliz, fará, certamente, 'Alguém' rir. E nem me refiro apenas às probabilidades de isso e aquilo não ocorrerem exatamente como se desejou, mas quantas vezes tudo foi perfeito (do latim: fazer inteiramente, terminar sem deixar afazeres) e ainda não ficamos felizes? A felicidade, de tão exata, chegar a ser intangível.
Felicidade, por conceito, é 'consciência plenamente satisfeita'. Isso quer dizer: não querer mais nada, nada mais desejar. Se você deseja que o momento não acabe, não é felicidade. Pois há certa angústia e essa felicidade não comporta medos ou preocupações. Felicidade é se considerar num eterno presente, imutável de tão sólido. Se você pensar: "Eu sou feliz?" Esqueça, ela não suporta questionamentos.
Por isso, sempre me lembro da frase. Sempre que encontro uma 'solução fenomenal' para os problemas que surgem (ou que invento, tanto faz), lá vem ela numa espécie de lembrança fantasiosa – ou mantra... é uma imagem toda negra com uma risada que começa imperceptível e vai se alongando... em ternas frações de segundos, até que a frase venha ditada por uma voz do além.
Mas isso não faz de mim um cara pessimista, que não crê em nada (somente no mito de Sísifo: aquele 'cara' da mitologia grega que é condenado a ficar subindo uma pedra montanha acima... e, sempre que chega ao destino, ela desce novamente e ele reinicia o trabalho indefinidamente). Acredito, como Camus, que muitas pessoas agem assim... mas, se estou fazendo o que faço hoje, é porque tenho planos e acredito, embora eu aja tão sistematicamente quanto é possível.
Agora, com a página do Blogspot aberta, lembrei-me de um trecho do filme "Amores Perros" em que a menina fodida fala para o seu e...
Apesar de ter deixado o 'hiper-link' para trás e ter dado um 'up' na fachada, continuará (continuarei) : continuaremos, enfim, os mesmos. Como serpentes, nos descamamos mas nem por isso nossos corpos cessam de sulcar o chão.
Hoje, teremos um experimento com poesia digital.
Segundo a etimologia, "poesia" (em suas formas antigas de grafia) designava "criação, confecção, fabricação". E não necessariamente versos, como no sentido atual. Daí poesia digital (aportuguesamento meia-boca, dizem estudiosos...) para o que é feito artisticamente a partir de softwares.
Neste, usei o programa SONY VEGAS 10, um vídeo baixado, uma música do Baden Powell e a voz da amiga Lety e a de um "anônimo".
Não ficou perfeito, encarem o lado lúdico.
Abraço e sejam re-bem-vindos!
Se gastarem, há outras obras no site Comunidade Literária Benfazeja
Crédito da imagem: Wellington Souza / Pinacoteca do Estado de São Paulo
HELENA FEBRIL
Suava.
Seus poros emanavam
não apenas líquido
que em vão tentavam retirar
do corpo
o calor excessivo.
Fluíam também
olhares-de-sereia.
Era imprescindível amar.
A febre ansiava
barro para forjar um corpo varão
e dele
de sua costela
sair mulher.
por Wellington Souza
Apesar de ter deixado o 'hiper-link' para trás e ter dado um 'up' na fachada, continuará (continuarei) : continuaremos, en...
"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos."
Padre Vieira, no Sermão de São Francisco Xavier Dormindo
Padre Vieira, no Sermão de São Francisco Xavier Dormindo
Coisas estranhas acontecem. Quando tenho sonhos prazerosos, acordo muito mal, triste, abaurroado* mesmo.
Principalmente quando sonho que estou namorando.
Mas sempre que tenho sonhos assim, minha namorada é uma mulher que eu não conheço, possivelmente idealizada.
Essa noite eu sonhei que estava fazendo uma caminhada pelo bairro em que moro, vestido com roupa de correr. Em uma avenida, cruzo com a Nina (uma mulher que conheci na faculdade e que não sei notícias há quase dois anos). Fisicamente, não é gostosa, não era alta, não se faz de ‘sedutora’ etc. Fazia o curso de Matemática Aplicada a Negócios e era uma das melhores alunas desse curso e muito inteligente, por sinal – punha a culpa em sua inteligência por nunca ter vivido um amor ‘de filme’, mas disso falo depois). No sonho, mesmo um pouco suados do exercício que fazíamos, nos abraçamos e trocamos beijos no rosto. Caminhamos um tanto, mantendo um conversa sem áudio, e logo ela começou a correr, sem aviso. Corri atrás dela.
Sempre que eu acordo, lembro-me de poucos fragmentos das falas dos sonhos – pouco ou nada. Esse foi anormal até nisso: além de eu conhecer a pessoa, ainda lembrei-me de diálogos.
Logo a alcancei e corremos por um tempo juntos. Mas, também sem motivos, apertei a corrida e me distanciei, em poucos segundos, muitos e muitos metros. Parei atrás de uma árvore e fiquei. Talvez a esperasse para um susto – bem típico de um outro ‘eu’ ‘apaixonado’.
Enquanto ela se aproximava sem me ver escondido, conversava com amigos que surgiram. Escutei algo assim: “Mas ele ainda está no auge... tem** até um site... faz o que gosta...” e ela: “Mas ele foi embora. Sempre acontece isso...” etc. Quando passaram por mim, surgi no caminho. Ela estava brava e chorosa. Meu sorriso armado para a brincadeira se fez preocupação e comecei a me desculpar. Seu rosto não sedia. Peguei na sua mão e eu já era um namorado eterno. Os amigos dela estavam a meu favor e um deles disse uma besteira e o outro falou para ela: “Está vendo, o seu namorado nem é tão ruim assim” e riu. Foi assim que ela sorriu e ficou desviando o olhar do meu, meio que envergonhada, tímida, manhosa, arrependida, faceira, acanhada, maliciosa e, ao mesmo tempo, aliviada por poder pegar na minha mão novamente e caminharmos para a sua casa.
Ela morava em uma república que mais parecia uma lan house, de tantos computadores e nerds que lá havia. E me perguntou qual jogo eu jogaria com ela e eu falei que não jogava jogos de computador. Mesmo assim, ela citou o nome de trocentos jogos e eu falei, um por um, que não conhecia. Para remediar a tristezinha que caiu em sua face, perguntei se ela me ajudaria a digitalizar*** poemas. Ela disse que adorava softwares e ficamos bem.
*
Não convivi tanto assim com essa menina, pois fazíamos cursos diferentes e tínhamos poucos amigos em comum. Fizemos uma matéria na mesma turma.
Duas passagens, do pouco que ‘ficamos’ juntos, me marcaram. A primeira foi antes de nos conhecermos (no sentido bíblico da palavra) quando, durante um almoço com amigos nossos, ela culpou sua inteligência por ainda não ter vivido um grande amor. Que os homens se sentiam inseguros sabendo que estavam com a ‘pessoa’ mais inteligente da matemática (pois, ainda segundo ela, alguns não a viam como ‘mulher’).
E, a segunda, foi o diálogo abaixo:
Na cama: ela me falou que o pai dela é norte-americano e que, quando ela se formasse, iria morar lá, com ele. Perguntei se ela gostaria de ir morar lá. Respondeu-me que gostaria de morar onde gostassem dela. Perguntei se ela gostava de morar aqui. Ela me respondeu que, naquele momento, estava gostando. Ficamos quietos, deitados, e as caixinhas de som do computador logo ficaram quietas também, pois a playlist chegara ao fim.
*
O que me intrigou nesse sonho foi o fato de lembrar os diálogos e pela jovem ser uma conhecida.
Você tem uma interpretação para esse sonho? Então comente! Eu até tenho uma, mas não postarei...
*
Não evoluímos (no relacionamento) porque nunca dei um telefonema para ela. Poucas vezes, mas poucas mesmo, liguei para uma mulher que não achasse que eu a namorava. E isso foi um indício forte de que eu não era o homem que a levaria para o filme do ‘grande amor’.
Ela até tentou.
*
Hoje procurei por ela no Facebook e no Orkut. Vasculhei amigos em comum, possíveis comunidades. Provavelmente, se achasse, apenas olharia para a sua foto...
Tanto tempo que não pensava nela, esse subconsciente é foda.
Agora restaram as quatro letras de seu nome e uma tristeza nostálgica, carinhosa e, por que não, satisfeita por compreender que nada pode ser mudado.
*Abarroado é uma palavra que inventamos em alusão a um amigo nosso, o menino-poeta, que sempre usava palavras ‘decoradas do dicionário’.
** Não sei de onde tirei essa de ‘está no auge’. Frase bem nerd, por sinal.
*** Digitalizar um poema quer dizer fazer um poema digital.
"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores...




